Como está o mercado de venture capital em 2022?

Tempo de leitura: 4 min

Escrito por Carlos Meira
em julho 29, 2022

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Guerra e juros altos diminuíram o crescimento, mas o mercado segue forte para 2022

O ano de 2022 começou com muita turbulência nos mercados de maior risco. Isso porque os bancos centrais no mundo inteiro começaram a aumentar os juros para conter a disparada da inflação.

Com isso, os investidores passaram a migrar para os mercados de títulos, retirando recursos de outros setores. Dessa forma, as bolsas de valores, empresas de venture capital e outros mercados perderam muitos recursos.

Mesmo assim, este mercado ainda registrou diversos números positivos em 2022. Por isso que a equipe da G2D Investments, investidora de venture capital, segue otimista com o desempenho de startups e empresas desse setor. Em uma entrevista exclusiva, a equipe da G2D trouxe dados e também a sua visão sobre como será a evolução do mercado em 2022.

Mercado forte, mas em queda

De acordo com dados da empresa de consultoria KPMG, o mercado de venture capital recuou 24,5% no primeiro trimestre de 2022, em comparação com o quarto trimestre de 2021.

Em números absolutos, os investimentos caíram de US$ 191,9 bilhões em 10.775 negócios no quarto trimestre, contra US$ 144,8 bilhões no primeiro trimestre de 2022. Nas Américas a queda foi de US$ 103,3 bilhões para US$ 77,6 bilhões no mesmo período.

No entanto, a G2D não enxerga esta queda como um sinal de crise do mercado. A empresa ressalta que, na verdade, os resultados de 2021 foram muito acima da média. Por isso, a comparação acaba levando a uma impressão de forte queda.

“O ano de 2021 foi fora da média para o mercado global de Venture Capital. No mundo, mais de US$ 600 bilhões foram investidos em startups, sendo 21%  em fintechs, o que levou à criação de mais de 500 novos unicórnios no mundo”, disse a equipe.

Nesse sentido, a força dos números de 2021 acabam ofuscando os dados deste ano. Mas no primeiro trimestre de 2022, o financiamento global para startups atingiu 

US$ 143,9 bilhões. Foi o quarto maior trimestre em financiamento da história, com valor 7% maior do que o mesmo período do ano anterior.

Ou seja, quando visto por outra perspectiva, 2022 continua sendo um ano positivo para o venture capital. A queda na comparação com o quarto trimestre indica um movimento de volta à média, não uma crise.

Venture capital no Brasil

No Brasil, o mercado de venture capital sentiu com mais força a retração no crescimento da economia. De acordo com levantamento do hub de inovação Distrito, tanto as rodadas de financiamento quanto o valor captado tiveram forte retração.

Durante o mês de maio de 2022, as startups brasileiras captaram US$ 298,5 milhões em 40 rodadas de investimentos. Contudo, os números do mesmo período de 2021 foram de US$ 772,6 milhões em 74 rodadas. Ou seja, houve uma redução de 60% no valor captado e 54% na quantidade de rodadas de investimento.

Nos cinco primeiros meses do ano, o total investido foi de US$ 2,6 bilhões, em 282 rodadas. Em 2021, no mesmo período, o mercado acumulava US$ 3,2 bilhões e estava próximo das 350 rodadas. Portanto, a queda dos investimentos é generalizada, afetando todo o mercado.

O principal fator positivo é que houve algumas mudanças no perfil de investimento em venture capital. Em primeiro lugar, cresceu o número de pequenas empresas que levantaram recursos pela primeira vez. E apesar do mercado receber menos recursos, há mais dinheiro novo entrando.

“Esse valor também representa uma queda de 19% em comparação com o último trimestre de 2021, um movimento que sinaliza a volta para a média. Mas o dinheiro novo investido em fundos que estão começando também é um ponto de destaque para mostrar que esse mercado vai continuar aquecido”, disse a G2D.

Questões macro reduzem capital de alto risco

O cenário brasileiro também foi impactado pela alta dos juros, tanto nos EUA quanto internamente. Cabe destacar que o Banco Central (Bacen) tem feito grandes reajustes na taxa Selic, que agora se aproxima de 14% ao ano, enquanto o Federal Reserve (Fed) também iniciou o ciclo de aumentos de juros nos EUA.

Com juros mais altos, os investidores começam a direcionar seus recursos para a renda fixa, destino em que podem obter mais retornos com menos risco. Além disso, taxas de juros mais altas tendem a encarecer os custos para startups, diminuindo a liquidez de dinheiro no mercado para estas empresas.

Esse cenário afetou todo o mercado de investimentos de alto risco. Na bolsa de valores, por exemplo, o índice Nasdaq 100 – que possui várias empresas de tecnologia em sua composição – perdeu 25% desde o início do ano.

Enquanto isso, muitas empresas que fizeram IPOs na bolsa brasileira em 2021 e 2022 acumulam fortes perdas, muitas na casa dos 50%. Só que mesmo com juros maiores e menos liquidez, os mercados continuam levantando recursos para aplicar em startups.

“Nos Estados Unidos, no ano passado, 771 fundos levantaram US$ 131 bilhões, totalizando um estoque global de US$ 900 bilhões para investir em empresas de alto crescimento. Por isso, os valuations de companhias privadas de tecnologia podem mudar, mas não faltará dinheiro para investir nessas empresas” finaliza a G2D.

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